segunda-feira, 8 de outubro de 2012
terça-feira, 25 de setembro de 2012
Alimentação para desportistas diabéticos
Comer é essencial durante as atividades desportivas
mais longas – caminhadas, btt, montanhismo, escalada, etc..
Mas para diabéticos, a escolha dos alimentos pode ser complicada.
A alimentação durante o exercício depende sobretudo
do tipo e intensidade do exercício. Nas longas caminhadas que fiz durante o
verão, comi
barras e géis com muitos açúcares e mantive a glicemia baixa, mas na
escalada não posso fazer isso porque os gastos energéticos são relativamente baixos – a
duração da actividade é geralmente curta, pausada, intercalada com descansos e portanto os
gastos bastante menores do que por exemplo na corrida ou bicicleta.
Por isso, preciso de hidratos de carbono de absorção lenta. Mas também preciso de proteínas e sais minerais e esses normalmente vêm em produtos com muito açúcar que não me fazem nada bem…
Para mim é! Como já devem saber, costumo fazer escalada, normalmente
durante todo o dia. Por isso tenho de me ir alimentando. Os meus amigos
escaladores usam uma série de alimentos para desporto como bebidas energéticas,
barras de cereais, barras proteicas, etc. Para mim, a maioria é totalmente
errada. O isostar, por exemplo, é como um shot de açúcar que vai quase
directamente para o sangue e me provoca hiperglicemias. As barras normalmente
têm também demasiado açúcar…
Por isso, preciso de hidratos de carbono de absorção lenta. Mas também preciso de proteínas e sais minerais e esses normalmente vêm em produtos com muito açúcar que não me fazem nada bem…
Tenho testado algumas alternativas e em breve coloco-as
aqui. Entretanto deixo-vos alguma informação que tenho andado a pesquisar sobre a
relação entre a diabetes, o desporto e os gastos energéticos:
Durante o exercício, os músculos vão buscar energia à
glicose e às gorduras. Primeiro começam por utilizar a glicose disponível nas
células e no sangue e rapidamente passam à glicose armazenada no
fígado. O fígado também pode produzir glicose a partir de proteínas. Quando as
necessidades energéticas aumentam, a glicose só por si já não é suficiente para
manter os músculos a funcionar e começamos a utilizar gorduras (normalmente
armazenadas em tecidos como cintura, ou coxas).
A utilização destes
combustíveis está dependente de hormonas, sendo a insulina uma das mais
importantes: permite a entrada da glicose nas células; promove o armazenamento
de glicose pelo fígado; inibe a libertação de glicose pelo fígado; inibe a
libertação de gorduras dos tecidos adiposos e promove a síntese de proteínas. Outras hormonas funcionam no sentido oposto à insulina,
promovendo por exemplo a utilização de gorduras. O nosso organismo, vai utilizando
estas várias hormonas durante a atividade física de modo a que haja sempre
“combustível” para as células funcionarem.
A diabetes complica o bom
funcionamento desta complicada máquina. Um diabético tipo 1, ao aplicar
injecções de insulina regularmente, está a tentar reproduzir este equilíbrio.
Um diabético tipo 2, ao tomar medicação, está a fazer o mesmo. No entanto,
estes ajustes “artificiais” que os diabéticos fazem dependem muito do tipo e
intensidade da atividade física – os diabéticos têm por isso de aprender a
ajustar a quantidade de insulina que utilizam (ou outra medicação no caso dos
tipo 2) e a alimentação ao exercício que vão fazer. E isto só se consegue com
experiência… Mais informação aqui e aqui.
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
Diabéticos nos Alpes
Hoje não vou falar das minhas atividades mas sim das de três bons rapazes diabéticos da AJDP que chegaram agora dos Alpes: o Paulo Ponte, o Paulo Carrilho e o Frederico Teixeira.
Este pessoal acaba de fazer com sucesso 2 picos em 4 dias: o Monte Rosa (4,634 m), que é o ponto mais alto da Suiça e o Gran Paradiso (4,061 m) que é o ponto mais alto da Itália.
Balanço: glicémias controladas (até porque levavam uma médica com eles para os pressionar, a Silvia Saraiva:), grande diversão e muito exercício.
Parabéns a todos!
Este pessoal acaba de fazer com sucesso 2 picos em 4 dias: o Monte Rosa (4,634 m), que é o ponto mais alto da Suiça e o Gran Paradiso (4,061 m) que é o ponto mais alto da Itália.
Balanço: glicémias controladas (até porque levavam uma médica com eles para os pressionar, a Silvia Saraiva:), grande diversão e muito exercício.
Parabéns a todos!
terça-feira, 4 de setembro de 2012
Escalada nos Picos
![]() |
| Face Oeste do Pico Urriellu |
Hum… a escalada nos Picos de Europa… como descrevê-la?
Segundo um Asturiano que por lá conhecemos: “Ai que tener-lo consolidado!” o
que traduzido para português dá qualquer coisa como “escalada dura, duríssima,
exposta, aérea, mental… portanto não te armes em esperto... e na dúvida, não
penses muito, segue para cima... e reza a todos os santinhos…”
Postas as coisas assim, até que a
experiência correu bastante bem. Comecei com uma lição de humildade dada pela Murciana,
uma via na estupenda face Oeste do Urriellu (na foto). Começámos um pouco
tarde, mas até estávamos a deslizar bem via acima até chegarmos aos largos de
artificial.
|
|
| A fantástica via "Espolon Sur" no Cueto Agero |
A falta de experiência neste tipo de escalada fez-nos demorar e
cansar muito mais do que estávamos à espera. Quando acabámos percebemos que não
teríamos tempo para acabar a via de dia e, com muita pena resolvemos descer.
Depois de uns dias a descansar nos vales e na praia e de um dia de escalada
desportiva, muito mais tranquila, voltámos a atacar os picos. Fiz a maior via de
sempre – o Espolon Sur no Cueto Agero – que incluía 1 hora a caminhar até à base e 540m de
escalada e também a via mais assustadora de sempre – o Gran Diedro de Peñalba –
em que a rocha era tão podre que a tinha de agarrar e pisar com o máximo
cuidado. Nunca dei tanto valor ao meu capacete!
Enfiada no grande diedro do "Gran Diedro" Podre
|
Até podia dizer que pelo
menos tinha valido a pena pelas vistas, mas a escalada foi tão stressante e tão
demorada (estivémos mais de 10h na via a tentar escolher o caminho menos mau, a
tentar fazer reuniões com uma protecçãozinha em que confiássemos…) que nem
apreciei as vistas lá de cima. Sabia que ainda tinha de fazer 3 rappéis pela
outra face da torre (que desconfiava serem também em terreno escabroso) e
encontrar o caminho de regresso que não conhecíamos. E não queria acabar de
noite… resumindo: estive quase sempre em stress primeiro para não morrer
agarrada a um calhau em queda livre, depois para tentar sair dali ainda de dia.
Quando chegámos ao chão comecei a debitar todos os palavrões que conhecia.
Quando acabei, repeti-os em espanhol, depois em francês e quando estava a passar ao inglês, chegámos ao refúgio do Collado Jermoso, lembrei-me que estava com
uma fome desgraçada e esqueci a via para me focar a 100% num belo Macarroni 3
quesos!
As glicemias?? Não faço ideia... não parei para medir... mas devem ter andado ao rubro com tanta adrenalina. Baixas não andaram porque não queria arriscar ter 1 hipo por ali e fui sempre engolindo barras...
Mas as experiências não foram todas assim tão extremas! Pelo meio fizemos a via "Divertimiento" na Peña de Regaliz, muito tranquila e em rocha muito sólida. Foi realmente pura diversão!
| Na via "Divertimiento" |
| No topo do divertimento... |
| ... a descansar do divertimento |
segunda-feira, 3 de setembro de 2012
Picos de Europa
| Na caminhada até à base do Urriellu |
| A medir a glicemia numa das subidas |
| Escalada em Vega de Liordes |
| Na grande subida para Vega de Liordes |
| A nossa "fonte" no prado de Vega de Liordes |
Na segunda incursão às montanhas, fomos por 6 dias para a parte Sul dos Picos. Acampámos em Vega de Liordes e no Collado Jermoso, dois locais lindos. Ia mais pesada (com mais comida) e a primeira caminhada era bastante exigente, sempre a subir, em terreno instável. Mas como já vinha com a lição aprendida, correu muito melhor. Comi bem antes de começar e depois comi uma barra ou gel ou chocolate a cada 45 minutos. Parece um exagero, mas funcionou na perfeição!
Depois dos 3 dias no Urriellu, precisei de 2 ou 3 dias para me recuperar totalmente. Acho que esgotei grande parte das minhas reservas de glicose dos músculos e fígado e ainda entrei pelas de gordura (valores de c.cetónicos de 0.3). Mas depois dos 6 dias no Sul, estava quase como nova! Acho que não cheguei a ir às reservas. Esta experiência fez-me perceber um bocado melhor como o meu corpo vai utilizando as reservas de energia. O mais engraçado foi que o meu companheiro, mesmo não sendo diabético, também começou a comer mais regularmente por de alguma forma estar sensibilizado e também notou que não ficou tão cansado nem com tanta vontade de comer montes de porcarias no regresso à “civilização”…
| As vistas no caminho para o Collado Jermoso |
Acabei por aprender bastante com esta experiência, e voltei a surpreender-me com o efeito da actividade física nas glicemias. Mesmo sem tomar o gludon (que tomo todos os dias para estimular a produção de insulina) e comendo bastante, estive a maior parte das férias com glicemias bastante baixas. Quanto à escalada correu muito bem. Mas isso fica para contar mais tarde...
sexta-feira, 24 de agosto de 2012
Uma nova paixão
O Verão já vai longo e eu estou a divertir-me imenso. Apesar
destas férias não ter podido fazer o que mais adoro - viajar - estou a procurar
tirar o máximo partido daquela máxima do "Vá para fora cá dentro".
Estou a escalar sempre que posso e a revisitar as escolas aqui da zona: Fenda
(Arrábida); Azoia (uma escola relativamente nova mas que recomendo vivamente
para quem está a fazer sexto grau); Guia (Cascais).
E tenho uma nova
paixão. Descobri o surf. Adoro. É o máximo. O desafio destas férias caseiras foi fazer um mini
curso de surf de 4 aulas ali mesmo na Costa da Caparica. Lá fomos nós. E
digo-vos: estar dentro de água, sem frio nenhum porque temos o fato, a tentar
apanhar ondas e a ouvir as gaivotas é muito, muito giro.
Surf e diabetes: confesso que na excitação da novidade, nem
me lembrei que era diabética. Juntei as asneiras todas: entrei para a água sem
fazer a glicémia, não comi e não tinha acuçar à mão. Lindo, não foi? Pois, no
fim estava de rastos e quando fiz a glicémia: 50. Fiz tudo o que não devia.
1) era um desporto novo para mim. Na verdade vai ser pelo
menos no próximo ano, o corpo leva tempo a adaptar-se
2) o surf desgasta mesmo MUITO. É um exercicio aerobico,
mexe com o corpo todo, nada-se, anda-se dentro de água, força para nos
erguermos na prancha...
3) é de longa duração. Cada aula são 2 horas.
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
Projecto Blue O
Há pouco tempo tivemos conhecimento do projecto Blue O do Carlos Farinha e achámos uma excelente iniciativa! O projecto divulga e apoia a prática de BTT por diabéticos, e ao longo do tempo tem recebido mais e mais apoiantes, nem todos diabéticos, nem todos praticantes de BTT.
Por isso eu e a Catarina decidimos que, mesmo não sendo praticantes de BTT, queríamos de algum modo apoiar o projecto que no fundo tem muito em comum com o nosso "Diabetes e Picos". E o Carlos recebeu-nos logo de braços abertos num grupo que agora conta com duas "trepadoras"!
Por isso eu e a Catarina decidimos que, mesmo não sendo praticantes de BTT, queríamos de algum modo apoiar o projecto que no fundo tem muito em comum com o nosso "Diabetes e Picos". E o Carlos recebeu-nos logo de braços abertos num grupo que agora conta com duas "trepadoras"!
![]() |
| Carlos Farinha numa prova de BTT. |
Subscrever:
Mensagens (Atom)







