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sexta-feira, 12 de maio de 2017

Palestra "Escalar com diabetes: desafio ou terapia?"

Na próxima quarta feira, dia 17 de Maio, vou reponder a um desafio da Desnível e dar uma palestra com o título: Escalar com diabetes: desafio ou terapia?

Vou falar sobre  algumas das minhas aventuras de escalada e de tudo o que tenho aprendido com a diabetes tipo 1 sobre as complicadas relações entre desporto, metabolismo, alimentação, recuperação, etc.


A palestra será na sede da Desnível, em Cascais. Mais informações aqui ou aqui.


quarta-feira, 10 de maio de 2017

Dieta cetogénica parte 2

Como já referi, tenho usado a dieta cetogénica ou cetónica (keto diet/ ketogenic diet) para manter um melhor controlo gicémico. Na minha breve experiência com o Libre, as diferenças para uma dieta à base de hidratos de carbono são incríves.
Pequeno almoço cetogénico: yogurte grego com chia,
farinha de linhaça, frutos secos e frutos vermelhos

Mas o que é a dieta cetogénica? Numa alimentação dita “normal” grande parte da energia vem dos hidratos de carbono (HC). Na dieta cetogénica a ingestão de HC deve ser mínima e a maioria da energia (70-75%) vem das gorduras.

O nosso organismo pode usar HC ou gordura (cetonas) para produzir energia. Mas estamos adaptados a usar os HC que comemos como fonte primária de energia. Isto acontece porque não conseguimos armazenar HC; os que comemos em excesso são armazenados em forma de gordura. Como a gordura pode ser armazenada, quando temos as duas fontes disponíveis, usamos primariamente os HC.

Hoje em dia, as pessoas ingerem sempre HC e comem com muita frequência, e nunca precisam de queimar gorduras. Por isso não estamos adaptados a usar a gordura que temos armazenada. Quando já temos poucos HC disponíveis, sentimos fome e vamos novamente comer HC.

Quando limitamos a ingestão de HC, o nosso corpo adapta-se e começa a usar gordura como principal fonte de energia. Mas isto não acontece facilmente, temos de limitar de forma significativa a quantidade de HC que ingerimos. O nosso corpo leva alguns dias a adaptar-se, a criar as enzimas necessárias para usar essa fonte de energia.

Esta dieta surgiu inicialmente como terapeutica para a epilépsia e só recentemente começou a ser utilizada noutros contextos, como forma de perder peso, de controlar os níveis de colestrol, reduzir o risco de doença metabólica ou ajudar no controle da glicémia em diabéticos tipo 2 e tipo 1. (vejam por exemplo aqui, aqui, aqui e aqui).

A sua eficácia no tratamento de diabetes tipo 1 ainda não foi testada de forma científica, mas um artigo de revisão indica esta dieta como potencialmente muito positiva também para diabéticos tipo 1.

Os diabéticos que têm experimentado referem como principais vantagens um maior controlo glicémico, com muito menos hiperglicemias e hipoglicemias. Mas também cria algumas dificuldades já que é uma dieta bastante restritiva, com várias limitações. De seguida vou fazer um post sobre vantagens e desvantagens da dieta.


quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Libre - primeiras impressões

Como disse no último post, tive a oportunidade de testar o Libre da Freestyle durante as duas últimas semanas. Adoreiiiiii! Mesmo! tinha algum medo que ele não resistisse ao meu ritmo acelerado, mas a verdade é que superou todas as espectativas e aguentou-se colado ao meu braço durante os seus 14 dias de vida :). E nem sequer tive de usar pensos ou adesivos.
Um dos muitos treinos com o libre


Fiquei com muita pena de ter de me separar dele... é uma pena ser tão caro e não ser comparticipado.

Entretanto, aprendi umas quantas coisas novas. Por exemplo, percebi que 30 minutos antes de treinos que puxem mais pelo sistema anaeróbico, tenho de dar uma dose de insulina, caso contrário tenho 1 pico de glicemia; depois do treino posso comer alguns hidratos e não dou insulina.

Também vi de forma muito clara o efeito da minha dieta KETO ou cetónica (ou cetogénica?).

Um dia com dieta Keto ou cetonica. O pico às 19h30 corresponde a um treino de musculação (devia ter dado 1 unidade de insulina para o evitar).

Um dia a comer hidratos com vários picos...

Dá para ver bem a diferença, não?

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Mulher Biónica ou o Medidor de Glicose Continuo

Finalmente tive a oportunidade de experimentar o Freestyle que é um sensor que se coloca no braço e permite a monitorização em contínuo da glicose.

A grande importância deste sistema é que permite sabermos o que se passa com a nossa glicémia 24h/dia. Pode dar-nos informação muitíssimo mais valiosa do que as tradicionais tiras de glicémia que apenas nos dão 1 pequena visão do que se passa num determinado momento.

Por isso, queria mesmo testar o freestyle. Perceber o efeito dos diferentes alimentos; a diferença que faz o timing em que se usa insulina, o que acontece durante um treino, etc.

E este fim de semana fui já testá-lo para a rocha e em condições bem extremas de calor e humidade.


Para já o meu balanço é muito, muito positivo. Já aprendi bastantes coisas só por poder ver em tempo real os gráficos de glicémia. Também passou o teste da escalada. Confesso que tinha algum medo de que a meio do dia ele se descolasse ou estragasse, mas aguentou-se!

Só tenho pena que apenas dure 14 dias. Não percebo como é que uma coisa destas que pode melhorar tanto a vida das pessoas com diabetes não é comparticipada. E provavelmente não ficaria mais caro ao SNS do que as tiras. E a longo prazo pode reduzir em muito as complicações da diabetes, poupando muito dinheiro ao SNS...

Quem puder, por favor participe na petição pública: http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=diabetes-libre. Obrigada!

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Dieta cetogénica e diabetes - Parte 1

Como disse aqui, não andava satisfeita com os meus resultados a nível de controlo de glicémias. Em média, até andavam controladas, mas tinha hipos e hipers com alguma frequência. Não só quando “falhava” a contagem de hidratos porque comia qualquer coisa 1 bocado diferente, mas também noutras situações em que não parecia ter feito nada errado.

Entretanto, como gosto de ler sobre desporto e nutrição, deparei-me com a dieta cetogénica (ketogenic diet). Há quem a confunda com outras dietas baixas em hidratos de carbono como a dieta Atkins ou a dieta Paleo. Mas a dieta cetogénica é bastante diferente num aspeto muito importante: a sua ideia de base é alterar o metabolismo (e a principal fonte de energia usada pelo organismo), não é permitir ou proibir certos alimentos. Passo a explicar:

A dieta cetogénica pretende adaptar uma pessoa a usar gordura (cetonas) como principal fonte de energia em vez dos hidratos de carbono. Para se conseguir isto, temos de limitar muito a quantidade de hidratos de carbono que ingerimos.

Esta ideia – usar cetonas como principal “carburante” – fez-me sentido porque, como diabética tipo 1, eu não consigo metabolizar hidratos de carbono de forma perfeita. Como o meu organismo não produz insulina, eu tenho de calcular quanto é que ele precisa desta hormona a cada momento e dar-lha. E muitas vezes este cálculo corre mal porque é altamente complexo e envolve imensas variáveis (alimentação, desporto, stress, repouso, hormonas, saúde, etc.).

Por isso procurei mais informação sobre esta dieta e sobre o seu uso no controlo de diabetes. Aprendi imenso, ainda estou a aprender neste momento, e algo me diz que ainda tenho muito para aprender...

Aprendi que não é algo que se possa começar de ânimo leve. É preciso informarmo-nos muito bem e percebermos o que fazer e como. Ou corremos o risco de fazer tudo mal e pôr a nossa saúde em risco. E por isso, me tenho sentido algo relutante em escrever sobre isso. Porque não quero de maneira nenhuma incentivar outras pessoas a seguirem esta dieta de ânimo leve. É algo que poderá fazer sentido para outras pessoas como fez para mim, mas tem de haver muito empenho da sua parte. Por isso, vou fazer 1 série de posts sobre esta dieta, com informação detalhada de modo a que outras pessoas possam estar bem informadas caso queiram também experimentá-la.

Algumas ideias importantes que gostava de partilhar (e espero desenvolver nos próximos posts):


  1. O que é e o que não é a dieta cetogénica – as bases científicas do que esta dieta faz ao nosso metabolismo e organismo
  2. A dieta cetogénica para um diabético – não é só o que se come, a quantidade e a periodicidade da insulina também ajuda ou dificulta a produção de cetonas e a adaptação a esta dieta; os benefícios, para 1 diabético são também muito diferentes dos típicos “redução do peso e do apetite” ou “melhor desempenho atlético”. Para mim, o mais importante é mesmo o controlo muito maior da glicémia.
  3. Desporto à base de cetonas – subtilezas a aprimorar para não ficar sem gaz a meio da atividade (aqui ainda ando a fazer experiências...)
  4. Resultados até aqui (e, possivelmente, o que ainda terei de aprimorar no futuro)


terça-feira, 19 de julho de 2016

Tanto, mas tanto tempo sem aqui vir…

Tenho andado andado à procura da minha maneira de lidar com a diabetes, a aprender e a explorar novas maneiras de viver como diabética tipo 1. E o percurso nem sempre tem sido o mais fácil.

Depois da famosa lua de mel, tive vários períodos com descontrolos das glicémias e isso teve um grande impacto em mim. Sempre fui altamente dedicada (há quem diga controladora J) e sempre fiz tudo por ter boas glicémias: contar hidratos de carbono, medir a glicémia com muita regularidade, fazer imenso desporto, registar tudo... e mesmo assim havia números inexplicáveis, frustrantes, irritantes.

Mas quem vive com diabetes sabe que isto é mesmo assim: é impossível controlar tudo, e temos de aprender a lidar com estas frustrações. Vão sempre haver medições inexplicáveis. Comes o mesmo de sempre, dás a mesma insulina, dormes o mesmo, fazes as mesmas atividades, e, do nada, BUMMM, lá está uma hiper! Ou uma hipo!

Só que eu não lido nada bem com isso. E, saber que isso “é normal” não me deixa mais satisfeita ou sossegada. Percebi que para me sentir bem e conseguir continuar a evoluir no meu desporto – a escalada – teria de encontrar a minha maneira de lidar com a diabetes e por isso continuei sempre a fazer experiências. Com comidas, desporto, diferentes modos de dar insulina – mais ou menos lenta, a diferentes horas, partida em duas doses...

Enfim, tenho sido o meu próprio laboratório e tenho chegado a algumas conclusões do que melhor funciona comigo. 

Agora faço uma dieta “ketogenic” que acho que em português se chamará cetónica ou cetogénica, e tenho conseguido um controlo muito melhor das glicémias. Sobretudo, consigo passar dias e dias sem hipos nem hipers o que é muitíssimo diferente do que era a minha realidade há alguns meses atrás.

A ver se num futuro próximo partilho mais sobre as minhas experiências aqui. Não no intuito de dar uma “receita” do que se deve ou não deve fazer, mas para motivar quem também não está satisfeito com os seus resultados a nível de controlo de glicémias ou a nível desportivo a fazer experiências e encontrar maneiras de os melhorar. 

À procura de equilíbrio na escalada e na vida

quinta-feira, 20 de março de 2014

Kayak e diabetes

Nas duas últimas semanas fiz uma pausa dos treinos de escalada para dar algum descanso ao corpo e depois voltar a treinar com mais força. Mas como não sou muito de ficar parada fui experimentar outras coisas.

Fui fazer kayak no mar, entre o Cabo Espichel e Sesimbra. Ao princípio estava 1 bocado apreensiva por causa da logística. Dentro do barco temos de transportar as coisas dentro de bidões estanques e não é fácil por exemplo fazer 1 medição de glicémia ou comer. Para isso é necessário encontrar 1 praia e levar o kayak para terra… nada fácil se estivermos com hipo!

Assim sendo, pensei que o melhor seria reduzir as unidades de insulina para não arriscar ter hipoglicémia a meio. E ainda bem que o fiz, porque embora eu ache que estou em boa forma, o esforço físico foi bastante elevado e por isso os HC eram logo "comidos". Quando comecei, estava com 146; comi 1 sandes e dei apenas 1 unidade de insulina (em vez das 2 que daria normalmente). Na paragem que fizemos para almoçar, numa praia deserta, estava com 132 – perfeito! Voltei a comer e a dar metade da insulina que daria normalmente. Acabei com 79 e com tanta fome que fui jantar pizza J


E como não estou nada habituada a andar de kayak, passei depois 2 dias com os músculos doridos.


segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

LEAD - Live, Explore, Advocate, Diabetes

A equipa Living Vertical acaba de lançar a iniciativa LEAD (Live, Explore, Advocate, Diabetes) que vai contar com uma série de projectos de aventura inspiradores de que eu também farei parte!

Mais notícias em breve... :)

Para já deixo aqui o link para a versão curta do Documentário do Steve que passou 365 dias seguidos a escalar. O Steve é diabético tipo 1 há 14 anos e é o fundador da equipa Living Vertical!

Subscrevam também o projecto Living vertical no youtube para seguirem as novidades.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Boas festas e felizes glicemias!

Estamos mesmo quase no natal e por isso queria aproveitar para desejar a todos um

EXCELENTE NATAL

E

UM 2014 CHEIO DE COISAS BOAS


Para mim as coisas boas são as viagens, a escalada e sobretudo os bons momentos com as pessoas de quem gosto! Mas isto de pedir coisas boas tem muito que se lhe diga... o melhor mesmo é começar a pensar nas resoluções de ano novo e trabalhar nelas para realmente conseguir as coisas boas!!!

Desejos de um 2014 cheio de "glicemias boas"!!!
Todos os anos faço uma lista de objectivos e acções e tento fazer pelo menos uma boa resolução que consiga manter todo o ano. Se tudo correr bem, no fim do ano essa resolução já se tornou num hábito e passa a fazer parte de quem eu sou. No ano passado fiz uma resolução que "pegou" - fazer uma boa sessão de alongamentos 3 vezes por semana - e uma que "não pegou" - reduzir o uso da internet (porque às vezes acho que desperdiço demasiado tempo na net e que podia fazer outro tipo de coisas como ler).

Como para 2014 andava sem grandes ideias, comecei a procurar na net e encontrei várias coisas engraçadas como este artigo sobre as resoluções mais populares. Pelos vistos a mais popular de todas é "perder peso"... mas para os diabéticos, acho que a primeira resolução tem de ser manter o controle da glicemia, não?

Bom ano!




quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Team LivingVertical

livingvertical.org/join-team-lv/
MEGA NOVIDADE: a partir de hoje faço parte da "Team LivingVertical". Esta equipa junta escaladores de diferentes modalidades, capacidades, nacionalidades e idades, mas todos Diabéticos.

Os objectivos deste grupo são os de partilhar e inspirar diabéticos dentro e fora da equipa. Partilhar interesses, motivações, ideias, experiências, questões. Apoiarmo-nos e entreajudarmo-nos e, se possível, criar projectos conjuntos...

Estou super motivada por passar a fazer parte deste grupo :)

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

À medida do possível

Olá,
estou ausente há muito tempo com grande pena minha mas realmente cada vez percebo melhor que não consigo ir a todas. Se não é pelo trabalho é pelo facto de ter uma família numerosa (três crianças é oficialmente uma família numerosa e quando chega ao fim de semana e estão todos em casa eu fico sem dúvidas que os meus filhos são.... numerosos!).
Claro que a minha atividade física também se ressente disto.
A escalada está muito fraquinha, desde o Verão que estou parada. O meu parceiro está lesionado...
Continuo a correr e até voltei à serra porque às vezes só consigo mesmo ter tempo para treinar à hora de almoço. De manha está muito frio e depois das 17h está escuro pelo que voltei a ir correr a 1000 metros de altitude.
Mas tenho uma novidade bastante recente que é o motivo deste post: já que não posso escalar.... vou de bicicleta para o trabalho! Foi difícil habituar-me, sobretudo às subidas, mas já noto que estou a ficar mais em forma.



terça-feira, 12 de novembro de 2013

Corram connosco no Dia Mundial da Diabetes 2013

Querem vir correr connosco esta quinta-feira???

Este ano estamos a preparar um evento para celebrar o dia mundial da diabetes, 14 de Novembro, juntamente com a Pro-runner e com a AJDP.

Queríamos aproveitar o dia para chamar a atenção para a importância de praticar exercício físico. Por isso, quando recebemos um mail do nosso amigo "Sedentário a Maratonista" para festejarmos o dia com uma corrida, achámos o máximo.

O evento começa às 18h na Pro-runner e terá um rastreio de glicemia gratuito seguido de uma corridinha. No final voltamos todos a medir a glicemia - uma forma de vermos na prática os resultados do exercício.

Podem inscrever-se e encontrar todos os detalhes do evento aqui.

E a quem se destina?
. a todos os que gostem de correr e se queiram associar a esta causa
. a diabéticos que fazem desporto
. a diabéticos que não fazem mas querem começar a fazer (vão poder tirar dúvidas com a equipa médica e com os outros diabéticos presentes sobre como iniciar a atividade física e gerir a diabetes)
. a amigos e familiares de diabéticos que queiram aprender um pouco mais sobre estas questões




Para além deste evento, estão ã decorrer também outras atividades ao longo de toda a semana, incluindo o Fórum Nacional da Diabetes a 16 de Novembro.



sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Equilíbrio

Depois dos altos e baixos e dos desleixos do verão, comecei uma nova fase com treinos intensos durante a semana e montanha ao fim de semana. Também voltei a dar mais atenção à minha alimentação e à contagem de Hidratos de Carbono! E aos poucos sinto-me a entrar em equilíbrio...

Com as glicemias a estabilizarem



O pé a mostrar-se recuperado num fim de semana cheio de "sobe e desce"


Os braços a adaptarem-se ao novo ciclo de treinos (muuiiitooo puxado)



E a cabeça também a começar a dar mostras de evolução...


É tão importante prestarmos atenção ao que fazemos ;)

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

A diabetes e os treinos

Eu adoro escalar e faço de tudo para evoluir. Leio sobre treinos específicos, estratégias de periodização, cargas, tempos necessários para o descanso e a recuperação, alimentação, etc. E  pergunto-me muitas vezes sobre como é que a diabetes pode ou não afectar tudo isto.

Á partida, se conseguirmos manter um bom controle glicémico, o impacto na capacidade de treino e de recuperação pode ser baixo. Mas há que ter algumas coisas em conta. Por exemplo, as reservas de glicose disponíveis para entrar em ação durante um período longo de esforço físico são menores num diabético. Os mecanismos para repôr essas reservas após o exercício também são diferentes. Por isso, e como quero ser capaz de dar o meu máximo, quero perceber estes mecanismos o melhor possível.

Procurei informação e deparei-me com artigos científicos um bocadinho complexos, até para uma bióloga...

Excerto de um dos artigos que estou a (tentar) ler

...uoouuuuuu... calma... isto tem de ser digerido!
Mas acredito que quanto mais perceber tudo isto, mais eficazes vão ser os meus treinos e mais resultados vou ter.

domingo, 1 de setembro de 2013

Insulina na montanha

Segundo Largo da Blues        
No 4º largo da Blues. Como se pode ver, a via
é bastante vertical e sem grandes locais para
parar e medir glicemias confortavelmente.

Como já é costume nesta altura do ano, fui para as montanhas escalar vias grandes. Fui para Cavallers, nos Pirinéus Espanhóis, onde já tinha estado. Por aí nada de novo. A novidade foi que primeira vez fui com a minha nova companheira inseparável - a insulina!

Já uso insulina há uns meses largos, mas ainda estou a aprender a ajustar as doses consoante o esforço físico que faço. Já escalei muito entretanto, mas esta foi a primeira vez nas montanhas, onde as condições são bastante diferentes. Por isso, embora fosse com algumas estratégias definidas, fui numa de principalmente fazer experiências, começando com vias relativamente curtas para aprender como o meu organismo reage e gradualmente ajustar as minhas estratégias a escaladas maiores.

Por causa do mau tempo que apanhei, acabei por apenas fazer duas vias maiores, mas a experiência correu bastante bem. A primeira tinha uma aproximação pequena e um prado a meio onde pude medir glicémia, comer, descansar e por isso acabou por ser quase como um dia "normal" de escalada.

A segunda via grande, a BLUES, já foi um desafio maior. Embora tivesse apenas 240 metros de escalada, tinha uma aproximação grande e com um grande desnível. Para além disso é uma via bastante continua e sem muitos locais a meio onde seja possível fazer medições ou usar insulina.

Gosto de fazer um bom treino aeróbico durante o ano para ir para as montanhas em forma, mas este ano, por causa da lesão no pé, isso foi impossível. Por isso já sabia que as caminhadas de aproximação às vias iam ser exigentes e iriam alterar o meu ratio carbohidratos/insulina. Ou seja, estava a contar que assim que fizesse caminhadas mais puxadas tivesse que reduzir a insulina ou aumentar o consumo de HC para não ter hipoglicemias.


A caminhada para a Blues correu muito bem: bom ritmo e boas
A medir a glicemia na reunião mais espaçosa
de toda a via
medições (151 no início e 109 no final com uma banana a meio). Mas depois da caminhada cometi um erro. Como já estava a contar com o tal efeito grande, antes de começar a escalada comi e não dei insulina nenhuma. Resultado, ao fim de 2 largos de escalada (cerca de 70 metros) estava com uma glicemia de 199. Um bocadinho acima do que eu gostaria. No entanto preferi não dar insulina para não arriscar uma hipoglicemia e continuei a escalar. Pouco depois os valores entraram na normalidade e desfrutei imenso da via que era absolutamente magnífica! A partir daí fui comendo pequenos snacks (sobretudo frutos secos) e nunca usei insulina.

No fim da via medi a glicemia - 123 e a cetona - 0,2. Muito bom! Por curiosidade medi a cetona ao meu companheiro de cordada que não é diabético e ele estava com 0,4...

As vistas do topo da Blues :)


terça-feira, 27 de agosto de 2013

Erros nas medições de glicemias

Tenho duas máquinas para medir glicemias e recentemente descobri que uma delas mede sempre valores significativamente mais elevados do que a outra.
Só descobri isto porque tive uma leitura muito estranha: quando estava a tentar corrigir uma hipoglicemia, fiz uma medição e obtive 1 valor que me parecia impossível para o que eu tinha comido (238), repeti a medição com a outra máquina que deu 164.

Isto já vos aconteceu? Poderá dever-se ao facto de as máquinas/tiras terem apanhado muito calor? Há alguma coisa que possa fazer para calibrar as máquinas?

Acho um bocado preocupante estas diferenças tão grandes porque podem significar estar a corrigir uma hipoglicemia ou uma hiperglicemia que afinal não tenho.

Medição de hoje a meio da manhã.
Geralmente a diferença anda nesta ordem de grandeza...
Medição no dia em que dei pela diferença entre as máquinas.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Da teoria à prática

Cavallers, Pirineus.
Este verão vou pela primeira vez escalar grandes vias de montanha com a insulina. Desde que comecei a tomar insulina, já fiz muitos dias de escalada, mas apenas nas nossas pequenas falésias, em que escalamos 20 ou 30 metros e voltamos para o chão. Escalar nas montanhas é muito diferente porque normalmente envolve grandes caminhadas tanto para lá chegar como para sair e muitas horas a escalar.

Eu já tenho uma espécie de plano para esses dias. Por exemplo, sei que vou querer estar sempre com a glicémia um pouco mais elevada do que num dia normal, para não ficar com hipoglicemia a meio da via. Sei que tenho de planear antes de começar em que locais vou fazer medições ou comer, caso contrário posso estar tão focada na escalada, que até me esqueço que sou diabética... Sei também que com dias destes, com grandes aproximações e grandes vias de escalada, vou precisar de mais hidratos de carbono para menos insulina e que quero evitar dar insulina rápida durante a escalada, porque a rápida com o exercício pode levar a uma descida muito brusca. Por isso estou a planear comer pequenas porções mas frequentes e ir monotorizando a glicemia.

Portanto, planos tenho... agora falta testá-los na prática!

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Incha-la

Eu a tentar não ser cuspida pela magnífica proa do Incha-la.
Foto de Paulo Gorjão.
Este fim de semana, sem estar minimamente à espera, consegui finalmente fazer um bloco que andava a assediar há uns tempos - o Incha-la - um bloco poderoso, extraprumado, nada ao meu estilo. Aliás, completamente o oposto dos blocos em que me costumo dar bem - verticais ou plaquinhas... E exactamente por isso, apesar de o tentar sempre que ia escalar para o sector da Meca, achava que ainda me faltava muito para conseguir encadeá-lo.

Para além da óbvia alegria por encadear um bloco tão dificil (para mim, claro!), também fiquei bastante motivada e com mais vontade de me esforçar e de me dedicar a blocos e vias de escalada mais difíceis.

Eu sempre fui um “fogo de palha”: entusiasmo-me muito com alguma coisa mas rapidamente me aborreço e começo a procurar outras coisas para fazer. Por causa disso, fiz de tudo enquanto miúda – desde karaté a balet, de natação a equitação…

Com a escalada ando a tentar um novo conceito: a perseverança! Há dias em que vou escalar e parece que estou mais fraca do que nunca e que os treinos não servem para nada. E quando tenho vários dias seguidos assim, começo a sentir-me frustrada. Mas depois, assim do nada, tenho um dia magnífico e percebo que são precisos dias de frustração para termos também dias de superação! Ou seja, começo a perceber que as coisas que me dão mais prazer são as que mais me custam e que quero evoluir no sentido de ganhar paciência para enfrentar lutas mais longas.

Mas muitas vezes simplesmente não consigo e desisto antes do tempo. Não estou para aguentar o fracasso… e invento desculpas para acreditar que não estou a desistir: dói-me o dedo; não tenho força nos braçosdói-me a ponta do nariz… :)

Enquanto o meu cérebro inventa estes truques para me proteger de falhar, o que eu mais quero é aprender a aceitar falhar como uma coisa natural e boa! Portanto, nos próximos tempos vou tentar dedicar-me a projectos mais dificeis e continuar nestas lutas entre o que tenho sido e o que quero ser…

E que venham mais 7as! Insha'Allah!

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Diabéticas em sintonia

Nem a propósito, e tal como a MJ no seu último post, também andei recentemente a pesquisar sobre o efeito do calor na diabetes. Descobri este site que está em espanhol o que pode ser útil caso algum@ visitante do nosso blog não esteja confortável com o Inglês e prefira a língua dos nuestros hermanos!

Tenho andado a sofrer um bocado de hipos e acho que tem a ver com o calor. De facto parece-me que ando a absorver a insulina rápida mais depressa que o costume.

Aqui pela Covilhã o ritmo tem sido intenso. Do trabalho mas também da corrida, já que tenho aproveitado a frescura da manhã (às 7h, depois disso é para esquecer) para fazer corridas longas.

Escalar tem sido mais escasso mas a semana passada fui à pedra do urso e senti progressos, já fiz dois VB e estou bastante orgulhosa, embora neste bloco que vos deixo aqui na foto o meu filho ainda me dê cartas!

terça-feira, 9 de julho de 2013

Calor e desporto

Esta onda de calor está a dar cabo de mim. Não era preciso tanto!!
Psicobloco em Sesimbra. Foto de Ana Marisa Correia.

Fica impossível treinar, escalar, dormir... só apetece estar na praia, dentro de água...

A única hipótese para escalar é fazer psicobloco (ou Deep Water Solo), que consiste em escalar em rocha junto ao mar, sem corda, e quando caímos vamos ao banho. Sabe mesmo bem!

E desde que não suba muito alto até é bastante bom para o meu pé porque não corro o risco de voltar a dar 1 "pancada" e voltar a magoar-me.

Também aproveitei o calor para ir  fazer bloco para a praia do cavalo, mas não fiquei muito entusiasmada com o local.

Bloco na praia do cavalo. Foto de Júlia Silva.
Tirando estas soluções mais frescas, tem sido difícil manter os treinos. Eu tenho alguma tendência para a tensão baixa (tensão normal para mim é 10-6) e nestes dias de calor ainda mais baixa fica. E ás vezes fico um bocado baralhada: penso que estou com hipoglicemia e quando vou medir não estou. Parece-me que há uma certa interacção entre as duas. Quando estou com tensão baixa, tenho os sintomas de hipoglicemia em valores em que normalmente não teria nenhuns sintomas.

Com hipos, tensão baixa e calor por demais, raras vezes tenho conseguido completar os meus treinos... só espero que este calor não dure muito mais tempo.

Deixo-vos alguns links sobre complicações que o calor pode trazer à gestão da diabetes, e que incluem: desidratação; dificuldades na sudação e manutenção de uma temperatura corporal  aceitável; maior risco de hipo e hiperglicemias e problemas com a insulina e outros medicamentos que se podem estragar a temperaturas elevadas. Vejam aqui:

artigo 1, artigo 2 e artigo 3

Um dos conselhos que dão nestes artigos e que me parece importante reforçar é o de se medir a glicémia com maior regularidade nestes períodos muito quentes. Outro conselho que vou de certeza seguir é o de escolher atividades de desporto ligadas à água, ou seja, mais psicobloco!!