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sexta-feira, 12 de maio de 2017

Palestra "Escalar com diabetes: desafio ou terapia?"

Na próxima quarta feira, dia 17 de Maio, vou reponder a um desafio da Desnível e dar uma palestra com o título: Escalar com diabetes: desafio ou terapia?

Vou falar sobre  algumas das minhas aventuras de escalada e de tudo o que tenho aprendido com a diabetes tipo 1 sobre as complicadas relações entre desporto, metabolismo, alimentação, recuperação, etc.


A palestra será na sede da Desnível, em Cascais. Mais informações aqui ou aqui.


segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

LEAD - Live, Explore, Advocate, Diabetes

A equipa Living Vertical acaba de lançar a iniciativa LEAD (Live, Explore, Advocate, Diabetes) que vai contar com uma série de projectos de aventura inspiradores de que eu também farei parte!

Mais notícias em breve... :)

Para já deixo aqui o link para a versão curta do Documentário do Steve que passou 365 dias seguidos a escalar. O Steve é diabético tipo 1 há 14 anos e é o fundador da equipa Living Vertical!

Subscrevam também o projecto Living vertical no youtube para seguirem as novidades.

domingo, 1 de setembro de 2013

Insulina na montanha

Segundo Largo da Blues        
No 4º largo da Blues. Como se pode ver, a via
é bastante vertical e sem grandes locais para
parar e medir glicemias confortavelmente.

Como já é costume nesta altura do ano, fui para as montanhas escalar vias grandes. Fui para Cavallers, nos Pirinéus Espanhóis, onde já tinha estado. Por aí nada de novo. A novidade foi que primeira vez fui com a minha nova companheira inseparável - a insulina!

Já uso insulina há uns meses largos, mas ainda estou a aprender a ajustar as doses consoante o esforço físico que faço. Já escalei muito entretanto, mas esta foi a primeira vez nas montanhas, onde as condições são bastante diferentes. Por isso, embora fosse com algumas estratégias definidas, fui numa de principalmente fazer experiências, começando com vias relativamente curtas para aprender como o meu organismo reage e gradualmente ajustar as minhas estratégias a escaladas maiores.

Por causa do mau tempo que apanhei, acabei por apenas fazer duas vias maiores, mas a experiência correu bastante bem. A primeira tinha uma aproximação pequena e um prado a meio onde pude medir glicémia, comer, descansar e por isso acabou por ser quase como um dia "normal" de escalada.

A segunda via grande, a BLUES, já foi um desafio maior. Embora tivesse apenas 240 metros de escalada, tinha uma aproximação grande e com um grande desnível. Para além disso é uma via bastante continua e sem muitos locais a meio onde seja possível fazer medições ou usar insulina.

Gosto de fazer um bom treino aeróbico durante o ano para ir para as montanhas em forma, mas este ano, por causa da lesão no pé, isso foi impossível. Por isso já sabia que as caminhadas de aproximação às vias iam ser exigentes e iriam alterar o meu ratio carbohidratos/insulina. Ou seja, estava a contar que assim que fizesse caminhadas mais puxadas tivesse que reduzir a insulina ou aumentar o consumo de HC para não ter hipoglicemias.


A caminhada para a Blues correu muito bem: bom ritmo e boas
A medir a glicemia na reunião mais espaçosa
de toda a via
medições (151 no início e 109 no final com uma banana a meio). Mas depois da caminhada cometi um erro. Como já estava a contar com o tal efeito grande, antes de começar a escalada comi e não dei insulina nenhuma. Resultado, ao fim de 2 largos de escalada (cerca de 70 metros) estava com uma glicemia de 199. Um bocadinho acima do que eu gostaria. No entanto preferi não dar insulina para não arriscar uma hipoglicemia e continuei a escalar. Pouco depois os valores entraram na normalidade e desfrutei imenso da via que era absolutamente magnífica! A partir daí fui comendo pequenos snacks (sobretudo frutos secos) e nunca usei insulina.

No fim da via medi a glicemia - 123 e a cetona - 0,2. Muito bom! Por curiosidade medi a cetona ao meu companheiro de cordada que não é diabético e ele estava com 0,4...

As vistas do topo da Blues :)


quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

As vantagens do frio

Uma das vantagens do Inverno é a neve. Em Portugal temos pouca mas uma das vantagens de viver na Covilhã é a Estrela!
Estive lá há duas semanas e finalmente fiz um corredor que já andava na minha mira há vários anos mas que nunca se tinha proporcionado.

A neve não estava grande coisa, demasiado empapada. Nem deu para usar as luvas. Mas como o corredor fica à sombra, ainda deu para fazer, nele a neve estava porreira e nalguns locais estava gelado, o que mete mais impressão, começamos a imaginar que se deslizarmos por ali abaixo, paramos bem lá ao fundo... em cima da rocha!

 

Mas correu tudo bem e no final, muito solinho para animar o almoço!

 
 
Passei um bocado ao lado da diabetes, como é meu costume. Não é edificante dizer isto mas este blog é mesmo para partilhar as nossas experiências e vivências de desporto e diabetes e a verdade é que quando estamos nestas atividades há imensas coisas a gerir - casacos, crampons, piolets, óculos escuros, carta topográfica, não esquecer nada em casa (que também é usual em mim). Mas fiz a glicémia antes de começar a subida e ao chegar, mantendo-me sempre a beber muita água porque para além desta atividade fazer suar imenso ainda por cima estava muito calor!

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Frio, neve e.... corrida!

Por aqui neve e muito frio!!
Ainda assim, tenho ido correr. Perto de casa, que fica na planície por isso um pouco menos de frio e sem neve. No final sinto-me mais animada e também dá para aquecer!
Rocha é que nada feito, já perdi a conta de há quantas semanas não escalo:( da última vez que fomos a Penha Garcia gelaram-me as mãos e acabei por não fazer nada.
Não se pode ter tudo, na Cova da Beira é complicado escalar no Inverno. Mas em contrapartida há neve! E, se tudo correr bem e o Sol para a semana aparecer, vou fazer uns corredores de neve e gelo. Não vou dizer mais nada para não agoirar mas depois conto! Fica aqui um link para uma pagina do FB sobre este tipo de atividade, para quem quiser saber mais.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Planos para 2013

Antes do mais Feliz 2013!
Tenho andado um bocado "calada" ultimamente porque o trabalho apertou até às festas e depois, com estas, entrei em "modo repouso" e nem abri o computador.
Mas nunca deixei de fazer  desporto: mantive-me a correr e na ante véspera de Natal voltei a um percurso pedestre que muito aprecio e que já não fazia há algum tempo: Cabo da Roca-Praia Grande.

O final do ano é sempre propício a balanços e aproveitando a pausa e o trekking, refleti sobre 2012 e marquei alguns objetivos para 2013, que partilho convosco:
1. fazer mais trekkings, em principio apenas em Portugal porque os tempos (€€) não estão para outras incursões
2. continuar a evoluir na escalada
3. fazer uma prova de montanha
4. se a coisa correr mesmo bem até junho (e isso envolve o Sr. Passos não cortar absolutamente mais nada!) fazer a Tour do Mont Blanc.Se  quiserem saber mais sobre este trekking vejam aqui.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Jordânia


Nos últimos 15 dias andei pela Jordânia e a viagem correu mesmo bem a todos os níveis. Escalei imenso, passeei imenso e diverti-me ainda mais. Para além disso tenho andado com um óptimo controlo glicémico o que me deixa ainda mais contente.

Eu e o Mário, o meu companheiro, começámos a viagem com alguns contratempos e a adaptação ao Wadi Rum não foi fácil. Por lá é tudo muito diferente e um bocado extremo: montanhas, calor, frio, vento, tempestades de areia, chuvadas… Num momento podemos estar a derreter ao sol e no momento seguinte, quando ficamos à sombra ficamos a tremer de frio. A rocha também pode ser excelente e uns metros acima começar a desfazer-se, tocamos-lhe e pulveriza-se em areia! Como não tínhamos experiência a escalar arenito, os primeiros dias foram de adaptação, até começarmos a saber ver em que rocha podemos confiar e quando é que é necessário cuidado extra.

A orientação também não é nada fácil. O terreno é um pouco labiríntico, com as montanhas a serem cortadas por “siqs” (canyons) e cheias de plataformas intermédias e torres por cima de outras torres. Ou seja, a orientação é muito mais tridimensional do que estou habituada, havendo vários níveis de montanhas e torres interligados por canyons.

Nos dois primeiros dias fizemos umas escaladas que não nos deixaram muito confiantes por não estarmos muito habituados à rocha. No terceiro dia  acordámos cedo para fazer uma via beduína (os caminhos que os beduínos fazem pelas suas montanhas há muitas centenas de anos). Depois de caminhadas, trepadas e escalada em rocha duvidosa, chegámos a um patamar que tinha uma vista excelente, mas que não tinha nada a ver com o local onde deveríamos estar… o pior era o facto de voltar tudo para trás não ser nada fácil. Como não dava para destrepar, tivemos de montar rappeis em rocha que se desfazia... medo!!!

Mas depois destes primeiros dias atribulados, as coisas começaram a fluir. Habituámo-nos ao tipo de rocha e de escalada e começámos a orientar-nos melhor. Escalámos fissuras, chaminés, diedros e placas. Fizemos “caminhos beduínos”. Dormimos no deserto...

Em relação às refeições, também correu tudo melhor do que eu estava à espera. Como sou semi-vegetariana (não como carne) estava com algum receio da comida. Mas a comida na Jordânia é bastante variada e sempre acompanhada com imensos vegetais, saladas, molhos de yogurte e de hummus (pasta de grão)…  por isso acabei por comer sempre bem. Mesmo no Wadi Rum, que é desértico e mais isolado, encontrei sempre bastantes vegetais e até fruta. A única coisa que não correu tão bem foi o pão. Normalmente só têm o pão tipo pita que descobri não me fazer nada bem, provocando-me hipers. Felizmente encontrei algumas alternativas como um outro tipo de pão, torrado, que resolveram o problema. 

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Diabéticos nos Alpes

Hoje não vou falar das minhas atividades mas sim das de três bons rapazes diabéticos da AJDP que chegaram agora dos Alpes: o Paulo Ponte, o Paulo Carrilho e o Frederico Teixeira.
Este pessoal acaba de fazer com sucesso 2 picos em 4 dias: o Monte Rosa (4,634 m), que é o ponto mais alto da Suiça e o Gran Paradiso (4,061 m) que é o ponto mais alto da Itália.
Balanço: glicémias controladas (até porque levavam uma médica com eles para os pressionar, a Silvia Saraiva:), grande diversão e muito exercício.
Parabéns a todos!


terça-feira, 4 de setembro de 2012

Escalada nos Picos

          Face Oeste do Pico Urriellu                     

Hum… a escalada nos Picos de Europa… como descrevê-la? Segundo um Asturiano que por lá conhecemos: “Ai que tener-lo consolidado!” o que traduzido para português dá qualquer coisa como “escalada dura, duríssima, exposta, aérea, mental… portanto não te armes em esperto... e na dúvida, não penses muito, segue para cima... e reza a todos os santinhos…”

Postas as coisas assim, até que a experiência correu bastante bem. Comecei com uma lição de humildade dada pela Murciana, uma via na estupenda face Oeste do Urriellu (na foto). Começámos um pouco tarde, mas até estávamos a deslizar bem via acima até chegarmos aos largos de artificial. 

A fantástica via "Espolon Sur" no Cueto Agero

A falta de experiência neste tipo de escalada fez-nos demorar e cansar muito mais do que estávamos à espera. Quando acabámos percebemos que não teríamos tempo para acabar a via de dia e, com muita pena resolvemos descer.

Depois de uns dias a descansar nos vales e na praia e de um dia de escalada desportiva, muito mais tranquila, voltámos a atacar os picos. Fiz a maior via de sempre – o Espolon Sur no Cueto Agero – que incluía 1 hora a caminhar até à base e 540m de escalada e também a via mais assustadora de sempre – o Gran Diedro de Peñalba – em que a rocha era tão podre que a tinha de agarrar e pisar com o máximo cuidado. Nunca dei tanto valor ao meu capacete! 

 Enfiada no grande diedro do "Gran Diedro" Podre
Onde está o wally? ok, as vistas pelos
vistos eram boas... eu não me recordo...
 Já em solo firme, a asneirar em castelhano...
Até podia dizer que pelo menos tinha valido a pena pelas vistas, mas a escalada foi tão stressante e tão demorada (estivémos mais de 10h na via a tentar escolher o caminho menos mau, a tentar fazer reuniões com uma protecçãozinha em que confiássemos…) que nem apreciei as vistas lá de cima. Sabia que ainda tinha de fazer 3 rappéis pela outra face da torre (que desconfiava serem também em terreno escabroso) e encontrar o caminho de regresso que não conhecíamos.  E não queria acabar de noite… resumindo: estive quase sempre em stress primeiro para não morrer agarrada a um calhau em queda livre, depois para tentar sair dali ainda de dia. 

Quando chegámos ao chão comecei a debitar todos os palavrões que conhecia. Quando acabei, repeti-os em espanhol, depois em francês e quando estava a passar ao inglês, chegámos ao refúgio do Collado Jermoso, lembrei-me que estava com uma fome desgraçada e esqueci a via para me focar a 100% num belo Macarroni 3 quesos!

As glicemias?? Não faço ideia... não parei para medir... mas devem ter andado ao rubro com tanta adrenalina. Baixas não andaram porque não queria arriscar ter 1 hipo por ali e fui sempre engolindo barras...

Mas as experiências não foram todas assim tão extremas! Pelo meio fizemos a via "Divertimiento" na Peña de Regaliz, muito tranquila e em rocha muito sólida. Foi realmente pura diversão!





       Na via "Divertimiento"       

                No topo do divertimento...          

... a descansar do divertimento

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Picos de Europa

Na caminhada até à base do Urriellu
A medir a glicemia numa das subidas
Com a troca de última hora dos Pirinéus pelos Picos, estava um pouco apreensiva, afinal não era para os Picos que me tinha andado a preparar. E as diferenças são bastantes – o tipo de rocha, o tipo de escalada, as aproximações. Para escalar nos Picos, é preciso caminhar muito o que implica levar tenda e acampar, implica outra logística e implica andar muitos quilómetros em terreno íngreme com uma mochila super pesada que para além do material de escalada inclui tenda, saco-cama, roupa, comida para vários dias, fogão, panela, etc… E, ao contrário do que eu pensei, essa é a diferença mais importante.

Escalada em Vega de Liordes
Na grande subida para Vega de Liordes
Na primeira caminhada de aproximação ao Pico Urriellu, fiquei logo com uma hipo. E nos 3 dias que acampei no Urriellu, tive várias… cometi dois erros: primeiro não percebi que subir com quase 20 quilos às costas implica maiores gastos energéticos do que apenas com o material de escalada (na primeira paragem que fiz depois de 1h30 de caminhada já estava em hipo). O meu outro erro foi levar comida mesmo à continha para não ir muito pesada. Estupidez! Estava sempre a contar as barras que ainda tinha e afinal se tivesse levado mais umas ou mais 1 pacote de bolachas não ia fazer grande diferença…

A nossa "fonte" no prado de Vega de Liordes
Na segunda incursão às montanhas, fomos por 6 dias para a parte Sul dos Picos. Acampámos em Vega de Liordes e no Collado Jermoso, dois locais lindos. Ia mais pesada (com mais comida) e a primeira caminhada era bastante exigente, sempre a subir, em terreno instável. Mas como já vinha com a lição aprendida, correu muito melhor. Comi bem antes de começar e depois comi uma barra ou gel ou chocolate a cada 45 minutos. Parece um exagero, mas funcionou na perfeição!

Depois dos 3 dias no Urriellu, precisei de 2 ou 3 dias para me recuperar totalmente. Acho que esgotei grande parte das minhas reservas de glicose dos músculos e fígado e ainda entrei pelas de gordura (valores de c.cetónicos de 0.3). Mas depois dos 6 dias no Sul, estava quase como nova! Acho que não cheguei a ir às reservas. Esta experiência fez-me perceber um bocado melhor como o meu corpo vai utilizando as reservas de energia. O mais engraçado foi que o meu companheiro, mesmo não sendo diabético, também começou a comer mais regularmente por de alguma forma estar sensibilizado e também notou que não ficou tão cansado nem com tanta vontade de comer montes de porcarias no regresso à “civilização”…
As vistas no caminho para o Collado Jermoso

Acabei por aprender bastante com esta experiência, e voltei a surpreender-me com o efeito da actividade física nas glicemias. Mesmo sem tomar o gludon (que tomo todos os dias para estimular a produção de insulina) e comendo bastante, estive a maior parte das férias com glicemias bastante baixas. Quanto à escalada correu muito bem. Mas isso fica para contar mais tarde...

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Férias

Eu em 2010 em Cavallers, Pirinéus, um dos locais por onde vou andar este ano.
As férias estão quase a chegar e eu estou super entusiasmada! Apesar de achar que os meus planos são um bocado megalómanos e que há fortes probabilidades de chegar perto da “Les Enfants de la Dalle” (a via de mais de 1.000m que quero fazer) e fugir com o rabinho entre as pernas…

Mas mesmo que assim seja, há muitas outras vias que quero (e vou) fazer e sinto-me já feliz por poder IR. Por poder ir à aventura, para sítios magníficos, por ir com a melhor das companhias, e por me sentir forte e com ganas para escalar “à muerteeee” J

Mas não vou sem vos desejar a todos umas óptimas férias! Que aproveitem para fazer tudo aquilo que adoram e que normalmente não conseguem fazer – passear, estar com amigos, descansar, e sobretudo, experimentar qualquer coisa diferente… e para os que não têm férias agora, espero que de qualquer modo aproveitem o verão ao máximo, com os seus dias grandes e noites quentes.

Para mim as férias são um período de quebra de rotinas e mais uma oportunidade para explorar, questionar e sair da minha zona de conforto. E nessa onda, deixo-vos um excerto de um documentário que vi há pouco tempo que adorei e recomendo - o "Man on wire":

"Life should be lived on the edge of life. You have to exercise rebellion: to refuse to tape yourself to rules, to refuse your own success, to refuse to repeat yourself, to see every day, every year, every idea as a true challenge - and then you are going to live your life on a tightrope."

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Objetivos para o Verão


Já estou a sonhar com as férias e já tenho grandes planos e objectivos para este Verão: vou aos alpes franceses onde quero escalar montes de picos e no regresso vou passar nos pirinéus franceses. E será aí o maior desafio: escalar a via “Les Enfants de la Dalle” no Dent d'Orlu. 

Dent d'Orlu, Pirinéus
É uma das vias em rocha mais longas dos pirinéus, com mais de 1000 metros de escalada em granito e 25 largos. A dificuldade da via é 6a+/6b. Não parece muito, mas tendo em conta que é escalada de aderência em placas e que por isso é muito psicológica e exige muita concentração… durante mais de mil metros… não vai ser pêra-doce. Na verdade será provavelmente o maior desafio que já tive. Será também a via mais comprometida, já que até ao 18º largo ainda se pode rapelar caso alguma coisa corra mal (embora deva ser um pesadelo fazer tantos rapéis), mas a partir daí, o compromisso é total e uma vez tomada a decisão de continuar, já não há escapatória, há que sair por cima!

Já devem estar a pensar que estou em muito boa forma. Mas por acaso até nem estou. Estou é com novo ataque de megalomania… à distância tudo parece possível… mas se quero que isto corra bem tenho que começar já a fazer vários treinos. Estes são os meus planos:

 . Treinos aeróbicos (corrida e remo) para aguentar um dia super-longo, sempre em esforço, com grandes caminhadas de acesso e de descida - 2 a 3 x por semana;
 . Treinos de estamina (dias longos, com muitos, muitos, muitos metros de escalada) - 1 a 2 x por semana;
 . Treinos de manobras de resgate (que espero não ter de aplicar) - 1 ou 2 até ao Verão;
 . Treinos “técnicos”, a escalar em granito e principalmente em placas de aderência para ficar muito mais rápida, menos hesitante e à vontade nas aderências para não passar medinho! - 1 x por semana.
Além de tudo isto, tenho também de aprender a lidar com a diabetes nestas condições para poder “afinar” a medicação e a alimentação a este tipo de esforço… se já nalguns dias mais “normais” isso às vezes não é fácil… num dia assim, longo e com actividade física intensa e contínua, vai ser com toda a certeza um grande desafio. Por isso, vou aproveitar os dias de treino mais longos para tentar perceber quais os ajustes que tenho de fazer.

E pronto, já tenho objectivos e já tenho um plano! O problema agora é arranjar tempo entre tantos treinos para trabalhar... Não percebo porquê, mas o pessoal lá do trabalho não é muito sensível à minha necessidade de me dedicar mais à escalada e menos aos relatórios e projectos :)

quinta-feira, 10 de maio de 2012

O Nepal contra o sofá

Os meus amigos dividem-se em dois grupos muito distintos: os fanáticos do desporto e os amigos do sofá e/ou das patuscadas. Não há muitos no meio, que vão fazendo umas coisas sem serem fanáticos.

Mas o que é que faz com que alguém deixe o sofá e se comece a dedicar de corpo e alma a uma actividade desportiva? Para mim foi o NEPAL!

A minha relação com o desporto desenvolveu-se da mesma forma que para muitos: durante a infância fazia montes de desportos porque eram divertidos, depois comecei a interessar-me por outras coisas e a mexer-me cada vez menos. Depois de acabar o curso, andava em péssima forma. Sendo bióloga, ainda fazia algumas caminhadas quando tinha trabalho de campo, mas nada a que se possa realmente chamar de exercício.

Mas como sempre quis ir aos Himalaias um dia resolvi inscrever-me numa agência para fazer um trekking no Nepal. E como tenho a mania das grandezas, o trekking seria de 16 dias a andar em montanha e a passar aos 5400m de altitude. Tinha 3 meses para me pôr em forma! E todos me aconselhavam a corrida para conseguir ter pulmão para 1 trekking daqueles.

Comecei a correr. E odiava: não aguentava nem 5 minutos seguidos. Era uma dor e um castigo. Nem consigo descrever o que sofri nas minhas primeiras corridas… mas como queria muito que a experiência no Nepal corresse bem, insisti e insisti. Hoje adoro correr J

Olhando para trás, acho que estive muitas vezes perto de desistir completamente. Se não tivesse aquela viagem marcada para o Nepal, talvez nunca tivesse aprendido a esforçar-me a sério e a gostar desse esforço… ou seja, se não fosse o Nepal, a minha vida hoje seria provavelmente muito diferente e o meu sofá conhecer-me-ia muito melhor!

E foi também o Nepal que me "apresentou" a dois grandes amigos - a Catarina (co-autora deste blog) e o Paulo, ambos diabéticos desde pequenos e verdadeiros exemplos de como a diabetes não tem de ser uma limitação, em nenhum sentido!

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Neve de Primavera

Pois é, este ano a Primavera está de mal com a escalada...tive uma Páscoa como a Maria João - com mau tempo e pouca escalada - e desde aí os fins de semana também não têm tido condições para as trepas. Mas mantenho-me a correr e no último domingo o sol despontou aqui pela beira interior. Lá fui eu para a serra fazer... neve! Em finais de Abril parece insólito mas a verdade é que estava rijinha e fizémos um belo corredor de neve que deu para tirar um pouco a barriga de misérias!

O entusiasmo foi tanto que não me preveni devidamente. Dei por mim a meio de um corredor de neve, com cerca de 1hora de regresso para fazer, a subir e sem acuçar ou qualquer outro suplemento. Isto de alguém com quase 30 anos de diabetes é vergonhoso, não? Acontece. A determinada altura a diabetes está tão inculcada em nós e nas nossas rotinas que nos esquecemos dela. Sobretudo quando estamos entusiasmados com qualquer coisa. Mas também pode acontecer porque estamos muito tristes ou muito stressados. É fácil acontecer mas não deve, porque pode ser muito grave. No meu caso no domingo cheguei ao carro com 70 mas se tivesse levado mais tempo poderia ter descido muito mais.
Moral da história: viver com a diabetes não é esquecê-la! Devemos ter sempre suplementos à mão. Por exemplo sair já de casa com os bolsos cheios ou a mochila precavida!

quarta-feira, 28 de março de 2012

Aventura no Pico

Aqui fica um link para a reportagem da TVI sobre a primeira aventura da Maria João com a AJDP (e para aí a minha décima!). Mostra um grupo de diabéticos em actividades de montanha no Pico, nos Açores, incluindo a subida ao Pico, a escalada nas falésias de basalto da ilha, espeleologia, etc.


Aproveitamos para agradecer à AJDP e a todos os participantes, a todos os patrocinadores (em especial à S-Trail www.s-trail.com que forneceu o equipamento para o dia de escalada), o apoio local e ainda aos nossos guias do "Cume 2351 Outdoor Experience" - Nilton, Mike e Johny!


O grupo no topo do pico.
O grupo numa das várias caminhadas pela ilha.

Catarina a escalar as falésias da Madalena

MJ também na Madalena



sexta-feira, 23 de março de 2012

Regular glicemias em montanha: o que pode correr mal e como te podes preparar

O montanhismo, alpinismo ou mesmo caminhadas, são actividades que requerem um esforço físico intenso muito diferente daquele a que a maioria de nós está habituada. Implicam actividade aeróbica continuada durante períodos muito longos (às vezes todo o dia ou vários dias seguidos) e se tentarmos fazer o mesmo tipo de alimentação que num dia “normal”, entramos facilmente em défice e arriscamos ter hipoglicémias. Para além disso quebram-se as rotinas e podem surgir inúmeros percalços. Por exemplo, a ansiedade e a adrenalina alteram muitíssimo os valores das glicemias pelo que temos de aprender a ter em conta este factor.

A melhor maneira de ultrapassares estes problemas será ganhando prática e começando devagar. O simples facto de saberes que estes problemas podem surgir e estares preparado para lidar com eles ou para os evitar irá tornar a experiência mais fácil e gratificante. 

Por isso preparámos 1 lista de “truques” para te ajudar a planear estas actividades (e acho que a maioria se pode aplicar a qualquer pessoa com ou sem diabetes):

 1. Coloca o alarme do telemóvel para te lembrares de tomar a medicação à hora certa;

 2. Planeia bem a actividade: prevê o tempo que vais demorar em cada etapa; vê as previsões meteorológicas (que podem afectar muito o teu desempenho e o tempo necessário para terminares a actividade);

3. Leva medicação extra, baterias extra, roupa extra para o caso das condições mudarem; 

4. Quando planeias a actividade, pensando em quanto tempo necessitas para as diferentes etapas, planeia também as refeições/snacks. Assim não te esqueces de comer e medir a glicemia (o que acontece muito facilmente quando estamos demasiado excitados com todas as“novidades” ou quando estamos demasiado cansados). 
Por exemplo para um dia de escalada intenso eu faço este planeamento: 7h – peq.almoço (papas de aveia + maçã); 7h30 – caminhada; 9h – pequena pausa com snack (bolachas); equipar para escalar; 9h30 – início de via com duração estimada de 5 horas (2 snacks para ir comendo - barra de cereais +frutos secos); 14h – pico – pausa para “almoço”(sandes) e apreciar as vistas;14h30 – descida do pico e caminhada de regresso (chocolate e barra de cereais para o caminho).

Já se for a Catarina (tipo 1) fará qualquer coisa do tipo: 7h – peq.almoço (copo de leite e pão); 7h30 – caminhada; 9h – pausa e snack (snickers) mede a glicemia e terá que ter no mínimo 150 para poder escalar, caso contrário come mais snacks (se estiver alta come o snickers na mesma mas daria 2 unids de insulina); equipar para escalar; 9h30 – início de via com duração estimada de 5horas (snacks - chocolates, frutos secos, sumos para comer de hora a hora, fazendo a glicemia no mínimo de 2h em2h; procura manter-se entre os 150 e os 250); 14h – pico – glicémia e almoço (sandes, fruta, leite com chocolate/iogurte); 14h30 – descida do pico e caminhada de regresso (chocolate antes de partir, para evitar hipos);

5. Leva comida extra. Os gastos energéticos serão muito mais elevados doque num dia “normal”. Levar comida rica em açúcar (chocolates; barras energéticas; géis) é muito importante, mesmo que te tenham dito o contrário; os tipo 1 normalmente também reduzem as doses de insulina para compensar os gastos energéticos mais elevados;

6. Leva comida variada. Quando se tem de comer muitas vezes começa-se a enjoar das barras e snacks…

7. Conta com o efeito da adrenalina quando medes as glicemias (em breve vamos publicar 1 artigo a explicar este efeito…);

8. Mantém um bom nível de hidratação, para um dia como o que descrevemos deves beber no mínimo 2L de água durante a actividade e à noite beber também muitos líquidos;

9. Escolhe actividades/ percursos/ dificuldades adequados às tuas capacidades;

10. Assegura-te de que as pessoas que vão contigo sabem que tens diabetes, o que é que isso significa e como deverão reagir caso alguma coisa corra menos bem. É claro que as pessoas que te acompanham não devem de ter medo que alguma coisa terrível aconteça, mas devem estar cientes que pode ser preciso parar com mais frequência para te permitir medir glicemias ou comer. Também é útil que as pessoas que te acompanham saibam identificar os sinais de uma hipoglicémia (palidez, tremuras, confusão).

A experiência vai ajudando a que cada aventura corra melhor, a que cada vez te sintas mais preparado, e a que cada vez te divirtas mais…
Catarina num trekking no Círculo de Gredos
MJ num trekking na Patagónia